Mercados internacionais: oportunidade e necessidade

Muitos empreendedores têm perguntado porquê internacionalizar. Afinal, no cenário de crise atual os investimentos necessários - e os riscos associados - a uma internacionalização acendem sinais de alerta por toda a corporação. No entanto, é exatamente a retração dos mercados que fazem com que a internacionalização seja uma opção a ser analisada detidamente. Estar em mercados externos é, ao mesmo tempo, uma oportunidade e uma necessidade.

Necessidade, porque a retração econômica experimentada pelo Brasil desde 2014 - depois de um ciclo de expansão forte e persistente - está longe de acabar. Por mais que alguns sinais de recuperação possam ser percebidos, a instabilidade do cenário político continuará a minar a economia por algum tempo ainda. A esse ambiente, soma-se a entrada de mais concorrentes estrangeiros, em especial asiáticos e europeus, que competem tanto pelo preço, quanto pela diferenciação. Assim, é importante que as empresas brasileiras diminuam sua dependência do mercado interno, diversificando e abocanhando fatias de outros mercados.

Oportunidade, porque a economia mundial está lá fora. Isso significa uma dimensão e escala muito maiores que os mercados regionais ou mesmo nacional podem proporcionar. As empresas brasileiras já demonstraram sua capacidade de inovação e, principalmente, seu talento em fazer muito com muito pouco. Outro fator relevante é que existem linhas de crédito internacionais disponíveis para investimento, expansão e transformação - a depender do seu setor e produto/serviço. Considerando o custo caríssimo do dinheiro no Brasil, dispor de capital em moeda forte e com taxas de juros não-escorchantes é uma alternativa a não ser desprezada. Quando olhamos para a espinha dorsal do Business brasileiro, é possível identificar que os pequenos e médios negócios representam cerca de 98% dos empreendimentos no país, sendo responsáveis pela geração de renda de 70% dos brasileiros ocupados no setor privado (dados Sebrae/2017). Internacionalizar parte desses negócios traz inúmeros benefícios não só ao setor privado - como aumento de competitividade, incremento da performance econômica e financeira, que da dependência de cenário interno, reforço do crescimento orgânico e criação de sustentabilidade de longo prazo das empresas - mas também ao setor público e a toda a sociedade.

No mundo dos anos 1980, internacionalizar era ação para grandes corporações, com forte capacidade de investimento, com linhas de crédito praticamente infinitas e contatos políticos em altas esferas da Administração. Afora isso, as linhas de comunicação eram escassas, lentas e caras; a logística, intrincada e de custo elevado; a transferência de conhecimento era barrada pela cultura local e pela língua, para ficarmos nos problemas mais comuns. O fenômeno da Globalização trouxe muitos pontos negativos, mas inúmeros pontos positivos. O mundo ficou menor, mais integrado, com legislações mais flexíveis e adaptadas a constantes mudanças. A Internet tornou a cultura mais distante tão próxima quanto o celular em nosso bolso. A quantidade de pessoas que falam mais de um idioma cresceu exponencialmente - apesar de o Brasil ainda deter o vergonhoso índice de 5% de falantes de mais de uma língua, com apenas 3% de falantes de inglês, a língua universal dos negócios.

As linhas de comunicação estão claras, curtas e disponíveis, através de emails, intranets, APPs de mensageria (Skype, Hangout, WhatsApp), smartphones e VOIP. A logística de transporte, seja de produtos, seja de pessoas, está mais simples. Mandar um consultor para o sudeste asiático, ou Oceania, era uma operação complexa há 15 anos. Hoje, além de termos rotas de transporte mais estáveis, temos meios digitais de pagamento e transferência de capital rápidos e confiáveis. Nuvens de bits cruzam o espaço digital em nanosegundos, transferindo bilhões de Euros de um lado para outro, no toque de uma tela.

Internacionalizar, no entanto, não é um processo simples. Envolve muito mais do que um bom plano de marketing, um bom produto ou serviço e uma vontade enorme de abrir um escritório em Nova York ou em Londres. O empresário brasileiro precisa entender, em primeiro lugar, que os ambientes de negócio no exterior são fortemente condicionados pelo ambiente jurídico. Por isso, é preciso método e conhecimento para realizar esse passo com segurança.